A vida privada

No Brasil, a exemplo da Rússia, as fortunas dos novos milionários foram feitas, raros as excessões, dentro de demandas que compõe por assim dizer traços/obrigações dos Estados Modernos. Nesse sentido, teremos que falar o que é esse ser chamado Estado, para depois verificar a nossa tese.
O conceito de Estado e sua constituição prática em quase 100% do mundo dos dias de hoje tem uma história. Para alguns, já Florença lá dos idos de 1500 detinha já esses traços germinais. A Revolução Francesa, apensar dos seus contrafluxos, também constitui outro vetor ideológico que sedimentou o Estado Moderno.
Dentro desse Estado, por exemplo, surgem várias questões. A cobrança de impostos é uma delas. Se no período medieval o Rei cobrava os tributos para seus benefícios, chegando mesmo a ideia de que o tributo lhe era um direito sagrado, esse ponto ganhou outra ascepção na modernidade. O tributo é para a garantia do bem público e sua “imposição” só se justifica nessa perspectiva. Qualquer agente público que fizer uso privado desses recursos será condenado como praticante de crime.
Obviamente que essa ideia não salta do plano ideal ao real. No Brasil a cada dia estamos aprofundando esse princípio a cada dia, ainda precisamos caminhar muito.
E será nessa disparidade entre o ideal e o real que iremos assistir uma prática histórica no Brasil. A  posse das “coisas do estado” (res-pública) por indivíduos ou grupos privados. Podemos citar alguns: transporte público, comunicação social, minas e energias, saúde e educação. A lista poderia ser mais longa e detalhada, tomemos apenas alguns exemplos para pensarmos.
Em transporte público temos os conglomerados que atuam tanto em linhas de ônibus interurbana quanto urbana. Em São Paulo Capital, a título de amostra, a Prefeita Marta Suplicy andava de colete a prova de bala, pois resolveu enfrentar as empresas de trasnporte e ordenar esse serviços, que é dever do Estado e “Direito” do cidadão, segundo o princípio do bem “público”.
Outras vilanias é no setor de saúde e educação. No caso da educação consolidou se nos últimos 40 anos uma naturalização de que a Escola Pública “não presta”. Na saúde os planos privados ocuparam o mesmo papel: somos bons e o público não presta.
Essas e outras questões encontram no agente da comunicação social seu maior aliado. Em uma mera entrevista que o jornalista utiliza palavra bem sutis, lá está a manutenção do mito que “escola pública” não tem recursos e que isso é assim mesmo; ora, nessa lógica de manutenção, escola pública é isso mesmo, algo por definição ontológica limitada, feia, suja, sem recursos.
Enquanto isso, serviços que são uma obrigação do Estado, serve para o sr. Eike Batista ser o homem mais rico do país. Obviamente que esse senhor se acomodou no tecido desse Estado frágil dentro da legalidade. Não se trata de infererir que tal pessoa é criminosa, podemos dizer que dentro do jogo, ele está dentro da legalidade. Mas é de se pensar como o pai dele era ministro exatamente da Minas e Energia  do governo militar e ele nada tem com isso?
Nas comunicações temos exemplos clássicos. O conglomerado Globo é o mais histórico, mas existem outros.
Enquanto isto uma vasta juventude, especialmente está usuária de Facebook, resta pensando que são livres para “dizer o que elas querem”. Não consegem, por exemplo, verificar que se trata de uma falsa liberdade, especialmente plantada a partir dos anos 90 em vistas de formar no Brasil um vasto mercado de consumo de massa. Pensam que a tal da primavera “árabe” foi uma turma de jovens que fizerem a coisa via Facebook e não conseguem medir extamente os interesses de países da Europa, entre eles Inglaterra e França, em tomar riquezas dos sub-solo desses países.
Aliás, não conseguem mesmo interpretar a figura da Xuxa como sendo uma ponta de um “ice-bergue” ou um ícone que, como é próprio dele, ao ser acionado abre-se uma janela para um vasto plano de dominação através das mídias. Xuxa, que no dizer do cantor Lobão teve/tem uma capacidade putificação por metro quadrado exponêncial, representa um tipo de pornografização do feminino. Suas roupas curtas, suas danças, todas naturalizadas como sendo o “normal”, gerou como efeito colataral gerações de consumidores. Nesse mesmo período, uma ou duas décadas antes, opera-se também uma volatização da sociedade rural e, consequentemente, da dissolução da família, bastião que em geral impede o consumo de massa.
Uma pena que “a defesa da família” seja uma frase que sempre aparece no meio de reacionários, retrogrados e facistas. O tema da família e mesmo a família em si, é a vítima fundamental da cultura feita para o consumo de massa. Todos os países que entraram na era da indutrialização e, bem depois, na cultura do consumo de massa, pagaram preços elevados, a começar pela transmutação do papel da família.
Enfim, sem a família como educandário primordial, a privatização da função de pai e mãe gerou um grande mercado educacional. No caso do Brasil, o ano de 1972 pode ser considerado o começo desse mercado. O desmonte Legal da Educação público, que passou a ser uma instância para políticos imporem seus interesses, afinal o Estado ainda compra muito livros, e a contrução Legal para as Escolas Privadas. Sem essa base, os demais setores atuam livremente para continuar a consolidar a privatização das iniciativas públicas.

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